DENISE E ABUJAMRA(S) (por Tina Andrighetti) - FIDS

DENISE E ABUJAMRA(S) (por Tina Andrighetti)

  06, May, 2022

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(por Tina Andrighetti)

Terça-feira eu me deliciei com a conversa entre Denise e Clarisse. A bailarina, atriz, diretora, sobrinha do Antônio Abujamra, que estava também na programação, um pouco antes da conversa entre…espera,  melhor organizar essa prosa!

No Cine-Teatro, última atividade do dia, Antônio  Abujamra entrevista Denise. Ambos reinam maravilhosos, lá nos idos de 2007 e podemos testemunhar  a  admiração recíproca passando na telinha! A quem ama esses gigantes  da nossa  arte, eis um belo registro, mesmo que breve. É interessante prestar atenção nos olhares. Abujamra abusa nas miradas com aquele olhar marcante e característico do  Provocações,  mas Denise não perde.  Quer dizer, tentaram parecer desafiadores, mas o que assistimos foi uma  conversa visivelmente carregada de lembranças e afetos. Abujamra dirigiu Denise quando ela já propagava o seu Teatro Essencial. Portanto, sabia ter diante de si uma atriz de personalidade ímpar e com um território  já construído e marcado pelas próprias vontades. Como não reverenciar a mulher que considerou a “mais bela voz do tetro brasileiro”? E ela, como não se derreter diante de tamanho respeito e reconhecimento vindo de um genial diretor de teatro? Vi amor, vi agradecimento, vi olhos cheios d’água e vi um abraço bem forte no final do vídeo.  Você não viu? Tudo bem, eu vi. Sei lá.

Voltando às mulheres! O plano era começar por elas, mas prolixa que às vezes sou, acabei indo pela ordem.  Sobre Denise e Clarisse, que peso a existência dessas duas! E trabalharam juntas apenas uma vez, quem diria! De novo assistimos o desenrolar de experiências comuns, os testemunhos de admiração mútua,  os lamentos por distâncias vividas e a promessa de reencontro, na  vida e no palco. Aquelas coisas do tempo que devolve às pessoas  o sorriso “de orelha a orelha”, sabem? Tenho certeza de que Clarisse sapateava no chão, pra extravasar o contentamento  que sentia. E Denise, com aquele sorriso largo de quem ama a tudo e todes!, As duas não cabiam em si e é o meu coração que não aguenta!

Ao mesmo tempo em que vejo gigantes consigo hoje ver, nesses e nessas artistas, pessoas  comuns, que acreditaram na arte que as elevou a um patamar digno de idolatria. Mas que não subiram batendo asas e sim, com muito trabalho. Dessa vez não quis ver as artistas, mas as mulheres que armazenam essa criatividade em ebulição,  que de vez em quando lavam uma louça ou passam um pano no chão, quem sabe. E pareciam tão comadres, que se morassem lado a lado, penso,  viveriam pedindo açúcar uma à outra.

Estou muito imaginativa, eu sei… Mas é bonito isso. Pessoas comuns que fizeram um “dentro” vir até nós em forma de arte. A política pode seguir a mesma ou pode piorar, pois os que dizem fazer política não descobriram a beleza. Mas nós podemos, ainda que sofridamente, extraí-la  de nós e das coisas. Assim como a ostra faz a sua pérola.

1 comentário

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Denise Stoklos

2 months ago

Que lindo! Tina, amei! Que olhar o seu! E que escrita! Agradeço demais! Beijos, Denise

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